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Cobalto em carros elétricos pode trazer benefícios ao Brasil

O cobalto é o novo ouro dos carros elétricos. Com a popularização dos veículos “verdes”, como os da Tesla, iniciou-se uma corrida pelo cobalto, metal usado na produção de baterias.

Esse elemento é um subproduto do níquel e do cobre. Antes descartado pelas mineradoras, hoje o metal pode representar um fôlego para empresas do segmento. A Vale, por exemplo, teria desistido da ideia de vender ativos e está estudando estratégias para o aumento da extração de cobalto.

Estima-se que até 2030, serão usados 450 mil toneladas de cobalto. Esse elemento ganhou tanta visibilidade pois também permite um aumento na autonomia dos carros elétricos.

A febre por esse metal pode beneficiar muito a economia do Brasil, trazendo investimentos de empresas e países, como a Alemanha.

A corrida por esse metal também se deve em parte porque o elemento é esgotável. Além de que pelo menos metade de suas reservas estão situadas na República Democrática do Congo, país politicamente instável.

A corrida do cobalto

Antes da grande popularização dos carros elétricos, esse metal era usado em pequena quantidade em baterias de aparelhos eletrônicos, como smartphones e tablets. Até esse período, a produção do elemento superava sua demanda. Por isso, muito desse minério acabava virando resíduo.

Mas com o crescimento da demanda por carros elétricos, especialmente no último ano, o interesse pelo cobalto se reacendeu.

Em 2012, a tonelada do cobalto custava cerca de US$ 5 mil. Em 2018, esse preço disparou, chegando a US$ 82 mil em fevereiro.

Segundo dados do banco UBS, a demanda por esse metal poderá subir 2000% nos próximos anos. Até 2030, o consumo do elemento poderá chegar a  450 mil toneladas.

Por que o cobalto está em alta? 

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De um subproduto subestimado do níquel e do cobre, o cobalto passou a ser o novo ouro das mineradoras. Mas por que essa corrida por esse elemento está acontecendo?

Em um ano, a frota dos elétricos no mundo mais que dobrou – aumento de 55%.

Estima-se que há mais de 3 milhões de carros elétricos nas ruas de todo o mundo.

E a expectativa é que esse número aumente mais a cada ano, a medida que os carros elétricos forem se tornando mais acessíveis.

O cobalto é um dos elementos que compõem as baterias de lítio, usadas em carros elétricos, como os da Tesla, Nissan, etc.

Com esse crescimento no número de carros produzidos, a demanda pelo metal tende a aumentar cada vez mais.

O cobalto é fundamental, pois é o responsável por ajudar a concentrar a energia em um espaço menor na bateria.

Assim, com esse elemento, é possível produzir baterias menores e com mais autonomia.

A Volkswagen e a Tesla, por exemplo, já estão em negociação com a empresa de mineração Glencore para a comercialização contínua de cobalto.

A expectativa é que essas parcerias entre montadoras e mineradoras sejam cada vez mais comuns, pois assim elas conseguirão o metal com um preço mais baixo.

Como o cobalto pode beneficiar o Brasil 

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A corrida pelo cobalto pode trazer benefícios ao Brasil, pois está possibilitando a entrada de novos – e milionários – investimentos no país.

A Vale, mineradora brasileira, segundo informações apuradas pelo Estadão/Broadcast, estaria desistindo da venda de ativos para ampliar sua produção de cobalto.

Outra mineradora que está de olho nesse novo “ouro azul” é a Horizonte Minerals. A empresa está estudando o desenvolvimento das minas de níquel Vermelho e Araguaia.

O investimento das duas empresas na ampliação da extração desse minério no Brasil pode significar um grande impulso econômico para o país.

Pensando em um futuro mais distante, caso nosso país se estabeleça como um grande produtor desse metal, poderá também pensar na possibilidade de produzir baterias de carros elétricos em terras nacionais. Dessa forma, os veículos movidos a eletricidade poderiam ficar mais baratos por aqui.

Brasil e Alemanha firmam parceria na corrida do cobalto

A Alemanha – que quer eliminar os carros a combustão de suas ruas até 2030 – está fechando uma parceria com o Brasil para o desenvolvimento de tecnologias beneficiadoras de minério.

Esse desenvolvimento tecnológico seria aplicado nas áreas do Brasil onde o níquel é extraído, e o cobalto, descartado.  

Atualmente, a obtenção desse metal no Brasil ainda é muito cara.

Porém, com tecnologias de ponta, a extração do metal poderá ser mais rápida, barata e proveitosa.

As barreiras da corrida do cobalto

Apesar de ser a febre do momento, tanto as montadoras como as mineradoras estão sendo cautelosas. Isso porque ainda há algumas barreiras que podem atrapalhar a extração em massa do metal.

Cobalto é um recurso esgotável e muito disputado

Assim como qualquer metal, o cobalto é um recurso esgotável. A longo prazo, ele pode tornar-se cada vez mais raro. Como consequência disso, seu preço pode aumentar ainda mais.

Para contornar esse problema, há a possibilidade de reciclar as baterias, usando novamente o minério e outros elementos.

Mas a BYD, montadora chinesa, por exemplo, está indo por outro caminho.

Em 2019, a empresa pretende apresentar sua nova bateria, em que a proporção usada entre níquel e cobalto é de 8 para 1.

Além disso, o elemento está cada vez sendo mais disputado pelas montadoras. Por isso, o governo do Japão está realizando consórcios com minas de extração do metal. Com isso, o governo garante o fornecimento do metal para a produção de carros elétricos no país.

Maior parte das reservas de cobalto são de difícil acesso

Mais da metade das reservas de cobalto estão situadas na República Democrática do Congo. Por ser um país politicamente instável, com problemas de segurança e de trabalho infantil, a extração do metal na região é muito mais difícil.

Como consequência disso, as minas situadas no Brasil acabam tornando-se muito mais atraentes. 

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Seja no Congo, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, a extração do cobalto está se tornando uma prioridade. Isso porque ele tem relação direta com a fabricação e venda de carros elétricos ao redor do mundo.