Uber Freight e a promessa dos caminhões autônomos

Carro Elétrico.com.br explica mais sobre o aplicativo Uber Freight e sua linha recente de caminhões autônomos, que veio para revolucionar o transporte de cargas.

Falaremos sobre o funcionamento e o lançamento do Freight, como e onde os caminhões autônomos já funcionam, seu potencial de mercado, os concorrentes da Uber no segmento e as primeiras e bem-sucedidas entregas realizadas em solo americano.

Uber Freight mira em logística

A Uber vem se especializando em ferramentas que pretendem revolucionar o modo como pensamos transporte sobre rodas. Veja: transporte sobre rodas em geral. O que não se resume ao aluguel de carros para transportar pessoas.

Afinal, o Uber Freight é um aplicativo elaborado especialmente para caminhoneiros independentes, transportadoras de pequeno porte e empresas ou pessoas físicas que desejem solicitar um serviço seguro de transporte de cargas.

O esquema é parecido com o do Uber “táxi”: a empresa/pessoa faz o pedido no app e o caminhoneiro verificado que estiver próximo da localidade terá a opção de atendê-lo. Tudo acordado, basta finalizar o job.

Uber Freight caminhão

Vale apontar que o Freight não cobra taxas sobre seus motoristas e o pagamento cai na conta do profissional em até uma semana, o que já o coloca à frente do Uber regular, que paga no prazo de um a três meses nos EUA.

Uber Freight foi lançado em maio de 2017

Apesar de estar, por enquanto, disponível apenas em solo americano, o Uber Freight já representa um enorme avanço da companhia em direção ao domínio total do transporte rodoviário nos EUA.

Nascendo já com o olhar atento e competitivo de outras gigantes como a Amazon, que vem elaborando um aplicativo similar ao Freight, a Uber meteu bronca para lançar o app ainda no ano passado. A companhia não perde tempo em arrematar importantes fatias de mercado (e a indústria de caminhões particularmente é geradora de 800 bilhões de dólares em rendimentos).

Parece óbvio que o Freight é somente um dos elementos do plano maior de transformar a Uber, sustentada pela aposta em autônomos, tanto através de parcerias com grandes fabricantes quanto pela compra de montadoras e empresas de tecnologia especializadas no assunto, em líder do mercado automobilístico.

Peraí, autônomos? Mas quem disse que os caminhões são autônomos?

Pois é. Você provavelmente já leu por aqui que a Uber vinha implementando automóveis autônomos aos seus serviços. Isto é, veículos que se dirigem, sem intervenção humana.

Em parceria com algumas das principais montadoras e desenvolvedoras de software do mundo, a ideia é transformar o aluguel de carros autônomos em um negócio mais rentável, racional e relevante para o meio ambiente e o mercado do que a comercialização de carros.

O mesmo se dá com uma linha de caminhões (!!!) da Uber/Otto, que logo dispensará de modo mais generalizado os motoristas tradicionais e custos relacionados.

Caminhão Otto

Caminhões autônomos têm tudo para se tornar tendência antes dos carros: é que dirigir por estradas é mais simples e seguro do que por ruas apinhadas de pedestres.

Abaixo damos mais detalhes sobre a novidade.

Caminhão autônomo da Uber

É objetivo da Uber lançar luz sobre as vantagens dos veículos autônomos, um de seus principais investimentos nos últimos anos.

Por isso, a empresa tem sido implacável na divulgação dos motivos pelos quais o autônomo é muito superior ao carro/caminhão/ônibus conduzido por motorista. E claro: vem pondo a mão na massa para garantir que estas vantagens não existam só no papel.

A ideia é que, futuramente, pagar o aluguel de um Uber seja mais barato e seguro do que os custos operacionais de um veículo regular.

O autônomo não cria gastos com motorista e, por ser elétrico, nem com combustível. Trata-se de uma otimização e racionalização completa da relação combustível/performance, fortalecendo igualmente o combate à poluição.

Vai valer mais a pena pagar a carona do que comprar um carro. E logo o mesmo ocorrerá com os caminhões.

Pensando em ampliar o alcance dos autônomos (e realmente revolucionar de forma geral o transporte sobre rodas), a Uber comprou a Otto, startup especializada no segmento de caminhões autônomos e que produzirá agora exclusivamente para a prestadora de serviços multinacional.

A ideia é que o investimento de 700 milhões sirva para a fabricação das melhores tecnologias do mercado.

 

Os veículos já contam com lasers de detecção, câmeras de alta precisão e um radar no para-choque. Além de tudo, são elétricos: o veículo dispõe de uma frenagem mais rápida, com mais eficiência e menor atrito, e emite zero gases poluentes.

Parece ótimo, né?

Porém, a notícia já semeia algumas dúvidas nas nossas mentes. Por exemplo: como assim caminhões autônomos? Isto é seguro? Quem fiscaliza a carga? O caminhão tem alguma espécie de supervisor ou motorista de emergência?

Tentamos responder algumas dessas questões abaixo.

Otto Uber

Caminhões ainda precisam rodar sob supervisão de humanos

Explico: na verdade, embora os caminhões sejam completamente capazes de dirigir sozinhos na maior parte do tempo, a tecnologia ainda é nova e limitada.

Tanto que os caminhões autônomos só trafegam em rodovias, sendo ainda de responsabilidade dos caminhões comuns a condução por áreas urbanas.

Além disso, motoristas-supervisores são pagos pela Uber para acompanhar os autônomos durante seu trajeto, assumindo o volante sempre que preciso. Outros funcionários operam questões como conexão e retirada de carga e o estacionamento do veículo.

Os caminhões autônomos são seguros?

Certamente. Segundo um representante da Uber, “segurança é sempre prioridade. Nós temos importantes objetivos internos que visam um produto inteiramente autônomo, mas alcançar tais objetivos não pode acontecer à revelia da segurança”.

Por exemplo, o caminhão autônomo respeitará todas as leis e regulamentações do trânsito; será propriedade registrada, licenciada e segurada; o profissional que estiver operando ou fiscalizando o veículo poderá ser multado caso o autônomo cometa alguma infração.

Os softwares dos caminhões são incrivelmente avançados e capazes de reagir a situações imprevistas, mesmo que ainda não sejam dignos de total confiança e careçam de muitos aprimoramentos.

No entanto, empresas como Intel vêm trabalhando para que em questão de tempo o cérebro de seus softwares seja mais confiável que a de um motorista experiente. Isto é, exclusivamente em relação à condução de veículos.

Competição acirrada

A Uber não é a única a investir em caminhões autônomos. Já falamos que se trata de um mercado de quase um trilhão de dólares, né?

Isto explica por que gigantes como Waymo e Tesla também entraram na brincadeira e também já estão operando suas próprias linhas de caminhões que se dirigem.

Tesla Semi entrega gigafactory

Entrega teste feita em 2016

Há 18 meses, a Uber realizava o primeiro transporte de grande carga com um veículo que se dirige sozinho, antes mesmo de lançar o aplicativo Freight.

Em parceria com a Budweiser, um carregamento de mais de 51 mil latas de cerveja saiu de Fort Collin, atravessou a Interestadual 25 e aportou em Colorado Springs.

O trajeto de cerca de 200km foi quase totalmente conduzido pelo software do caminhão autônomo, com o motorista-fiscal assumindo a condução somente nas localidades urbanas.

Na época esta viagem foi considerada um marco da indústria de caminhões, recebendo grande destaque na mídia.

Entrega já ocorre no Arizona

No estado americano do Arizona, entregas realizadas com autônomos já ocorrem diariamente através do app Freight.

Novamente: as operações verdadeiramente autônomas estão limitadas às estradas e contam com o apoio de um “profissional humano”. A tendência, porém, é que logo essa fase de testes seja superada e os autônomos nem precisem mais de um motorista auxiliar.

Além disso, é natural que aos poucos as entregas comecem a se expandir do estado para o resto dos EUA e, em questão de tempo, do mundo todo.

Resultado esperado: menos acidentes, menos custos, menos poluição, mais segurança e mais eficiência.

Fiquemos de olho para descobrir aonde essa promissora estrada nos leva.

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