Sunswift VI – novo carro solar de projeto australiano já corre

Equipe universitária de carros movidos a energia solar, a Sunswift acaba de apresentar seu sexto modelo: Violet

“Com duas portas e quatro rodas, você está perdoado por confundir o eVe com um carro movido a gasolina convencional”.

É assim que a UNSW Sunswift, a equipe universitária australiana especializada em carros solares, define seu útlimo projeto, o eVe – primeiro carro australiano de emissão zero movido a energia solar. E legalizado para andar nas ruas.

O programa pertence à University of New South Wales e é executado primariamente por estudantes.

A Sunswift, cujo nome oficial é UNSW Solar Racing Team, engloba universitários dos mais variados cursos – desde diversas engenharias até humanas e artes.

O nome Sunswift vem do primeiro modelo desenvolvido pelo grupo, em 1996.

O projeto foi elaborado em 1995 por Byron Kennedy, um estudante do último ano de engenharia elétrica.

O objetivo era construir um carro elétrico movido a energia solar para entrar na World Solar Car Challenge (WSC).

A competição ocorre entre diversos carros movidos a eletricidade e abastecidos por energia solar.

Os veículos participantes podem ser inscritos por escolas, universidades, montadoras e empresas do setor.

Nestes 21 anos de existência, foram cinco carros projetados e várias marcas expressivas, incluindo a presença constante na WSC.

Conheça mais sobre esse programa universitário.

Antes da Sunswift, o carro a energia solar

Primeiramente, é interessante conhecer o conceito a partir do qual a Sunswift desenvolve os projetos.

O princípio é semelhante ao de um carro elétrico, mas utilizando a energia solar como fonte de combustível.

Painéis captam os raios do Sol e armazenam a energia. O que interessa para o carro é a energia eletromagnética.

Essa é convertida, por meio de células solares (ou fotovoltaicas), em energia elétrica.

A partir daí, os carros movidos a energia solar funcionam como um carro elétrico convencional: a eletricidade gerada por esse processo é convertida em energia cinética por meio de um motor, e então o veículo entra em movimento.

O excesso é armazenado em uma bateria, podendo ser utilizado na ausência de luz solar. A bateria também pode ser recarregada pelo método convencional, na tomada.

Por fim, os carros também contam com sistema de recuperação de energia durante as frenagens.

A Sunswift

Sunswift Ivy e Eve

O projeto foi estabelecido em 1996. A UNSW adquiriu o Q1, um modelo da empresa australiana Aurora, especializada em carros solares.

Os estudantes modificaram o Q1 significativamente, com alterações de chassi, motor e bateria, e o batizaram de Sunswift I. Daí surgiu o nome da equipe.

Inspirados pelo sucesso do projeto inicial, os integrantes do programa decidiram dar continuidade.

Surgiu então o sucessor, Sunswift II, desenvolvido a partir de 1997. O segundo veículo contou com quatro versões, cada uma apresentando upgrades e modificações, e estabeleceu o recorde mundial de eficiência energética para um carro movido a energia solar.

O modelo foi também o primeiro a apresentar células solares desenvolvidas e montadas pela própria universidade.

O terceiro projeto, o Sunswift III, foi apresentado em 2005.

Projetado especificamente para a WSC, o III quebrou o recorde mundial de distância percorrida por um carro a energia solar.

Na competição, o modelo garantiu o nono lugar.

Em 2009, o quarto projeto da UNSW foi apresentado: o Sunswift IV, apelidado de IVy. Também projetado para competir na WSC, a IVy levou o quarto lugar na classificação geral.

Em 7 de janeiro de 2011, o modelo quebrou o recorde mundial de velocidade máxima para um carro a energia solar, que já durava 22 anos.

Em uma base da Marinha australiana, IVy atingiu os 88 km/h.

O quinto e até então mais radical modelo, o Sunswift V – apelidado eVe, estreou em 2012.

Também com a WSC em mente, o carro representou uma guinada significativa na direção do projeto, tendo sido planejada para ser um carro convencional.

A carroceria lembra a de um esportivo e o interior conta com espaço maior, podendo até levar um passageiro.

eVe alcançou 107 km/h, quebrando o recorde australiano para carros elétricos.

Seguindo a linha adotada por eVe, o sexto projeto foi apresentado em setembro deste ano, e apelidado Violet.

Com o design ainda mais próximo ao de um sedã convencional – contando inclusive com quatro lugares e conveniências para os passageiros.

Objetivos do programa

A Sunswift reúne estudantes de diversos cursos da UNSW.

Engenharias mecânica e elétrica, energia renovável, design industrial, computação e até mesmo comércio e artes.

Construir um carro movido a energia solar envolve uma série de desafios que serão úteis no dia-a-dia.

O programa pretende ensinar aos estudantes habilidades como ética no espaço de trabalho, auto-confiança, motivação e liderança.

Outro objetivo do time é estabelecer uma relação com a comunidade.

A Sunswift realiza eventos em escolas, palestras, exibições dos carros e também abrindo alguns dias para visitação do público.

Com isso, é possível alcançar uma maior promoção da universidade e apresentar à população soluções de energia renovável e transporte sustentável.

Mesmo após a graduação, alguns estudantes seguem em contato com o projeto, passando a atuar como mentores dos integrantes mais novos.

Os carros: do Sunswift I ao VI:

Eve correndo

Como citado mais acima, a Sunswift já desenvolveu um total de seis modelos desde 1996. 

Após apresentarem designs futuristas e pouco convencionais nos quatro primeiros projetos, o time adotou a ousada estratégia de desenvolver carros voltados para as ruas nos dois mais recentes.

Conheça mais a respeito de cada um dos carros desenvolvidos pela equipe da UNSW.

Sunswift I

Um estudante do último ano de engenharia elétrica, Byron Kennedy, decidiu estabelecer um time de corridas para a universidade, visando entrar na WSC.

Assim, em 1995, surgia a UNSW Solar Racing Team.

O primeiro projeto é de 1996. O time adquiriu junto à Aurora Vehicle Association – um grupo australiano voltado ao desenvolvimentos de carros movidos a energia solar – o modelo Q1, que havia sido lançado três anos antes.

Com aparência incomum, o veículo contava com cabine de um lugar, posicionada em meio a um largo painel solar montado sobre três rodas.

Os estudantes decidiram modificar o carro, alterando o motor, o chassi, a bateria e a célula de proteção.

Com as mudanças, o Q1 foi renomeado para Sunswift I, que passaria a dar nome ao time.

O I tem 4,46 m de comprimento e 2 m de largura, com 1,01 m de altura. Conta ainda com uma área de 7,88 m² de painéis solares.

A captação energética tem aproveitamento de 18,5% dessa área, enviando energia para abastecer 58 baterias elétricas, gerando 3 kWh.

O modelo pesa apenas 255 kg e chegou a atingir a marca de 63 km/h.

O chassi é de Nomex, sendo reforçado por alumínio na parte superior e fibra de carbono na inferior.

Ao todo, o pioneiro custou $295 mil (sendo $200 mil pelo Q1 e outros $95 mil em modificações).

O Sunswift I alcançou um surpreendente nono lugar entre os 46 inscritos da WSC de 1996.

Sunswift II

O sucesso obtido com o primeiro modelo incentivou a equipe a inciar a construção de um segundo carro, dessa vez por conta própria.

Buscando reduzir o coeficiente aerodinâmico, o novo carro apresentaria mudanças significativas com relação ao projeto anterior.

O Sunsiwft II foi revelado em 1997. O cockpit foi integrado ao painel solar, que passou para 8 m².

O novo veículo contava com duas rodas dianteiras e uma traseira, responsável pela tração.

O modelo II passou por várias modificações ao longo dos anos, mas a principal veio em 2001.

Para a WSC daquele ano, o projeto da UNSW utilizou células solares construídas pelos próprios estudantes, sendo a primeira equipe a realizar tal feito.

Em 2000, os universitários envolvidos com o time se juntaram para preparar nada menos do que oito mil células para revestir o painel solar do veículo.

Os resultados foram surpreendentes, e a Sunswift quebrou o recorde do evento em eficiência energética das células solares, com 19,5%.

O time terminou na 11ª posição geral. O Sunswift II foi substituído em 2003.

Em relação às especificações técnicas, o carro tem 4,4 m de comprimento e 2 m de altura, com apenas 90 centímetros de altura e 180 kg de peso.

Os 8 m² do painel solar produzem 1 kWh, alimentando 102 baterias que, combinadas, produzem 3 kWh.

O veículo atinge a marca de 102 km/h, sendo impulsionado por um motor elétrico de apenas 4 cavalos.

Sunswift III

Após identificar todas as falhas que precisavam ser melhoradas no segundo projeto, a equipe decidiu iniciar a construção de um novo modelo.

Assim, em 2005, foi revelado o Sunswift III.

Além da eficiência, o time da UNSW pretendia melhorar a praticidade. Diferentemente dos antecessores, o modelo III foi desenvolvido com lugar para um passageiro, posicionado de costas para o motorista dentro do cockpit.

Das três rodas dos modelos anteriores, o III passou a contar com quatro, assim como os carros convencionais.

O intuito inicial era de participar na WSC de 2005.

Problemas de dirigibilidade, no entanto, forçaram a equipe a realizar a inscrição em caráter extra-oficial, sem ser classificada.

Os estudantes passaram a trabalhar mais intensamente no carro durante todo o ano seguinte, com 2007 em mente.

O ano foi chave para o carro: em janeiro, o Sunswift III quebrou o recorde mundial de deslocamento transcontinental.

Viajando do oeste ao leste da Austrália (Perth a Sidney), o carro completou o trajeto em cinco dias e meio.

Alguns meses depois, em setembro, o veículo alcançou o nono lugar entre 41 inscritos na WSC, repetindo o sucesso do primeiro modelo.

Quanto às especificações técnicas, o carro tem 2 m de largura, 6 m de comprimento e 90 cm de altura.

Pesa 220 kg, construídos sobre um chassi de fibra de carbono.

O painel solar ocupa uma área de 11,5 m² e tem eficiência de 20%, sendo capaz de gerar 1,8 kWh.

As baterias produzem 2,5 kWh, com velocidade máxima de 120 km/h.

Sunswift IV (IVy)

IVy

Com a experiência previamente adquirida com os outros três modelos, a Sunswift decidiu criar um projeto ainda mais ousado.

Surgia assim o modelo IV, nomeado IVy. Desenvolvida ao longo de 18 meses, a nova “menina” do time foi construída voltada para a performance, com design extremamente aerodinâmico de coeficiente 0,09 Cd.

IVy foi inscrita na WSC de 2009, dentro do planejamento original apesar de alguns percalços ao longo do projeto.

O resultado foi surpreendente, e o modelo terminou a prova em quarto lugar na classificação geral, superando com folga a antiga melhor participação da equipe.

Além da ótima posição no geral, IVy ainda venceu a classe Challenger.

No ano seguinte, 2010, o veículo entrou para o Guinness ao quebrar o recorde de velocidade máxima atingida por um carro movido a energia solar.

Na ocasião, IVy atingiu 88,5 km/h, superando uma marca que já durava 22 anos. Para seguir o regulamento estabelecido pelo livro dos recordes, o carro não poderia contar com as baterias, sendo movido exclusivamente pela energia produzida ao longo do percurso localizado na base Albatross da Marinha australiana.

Em 2011, último ano do modelo, IVy se despediu da WSC com um sexto lugar, encerrando assim a trajetória do modelo de maior sucesso da Sunswift.

Com relação às especificações técnicas, o modelo IV tem comprimento de 4,6 m, largura de 1,8 m e altura de 93 centímetros, pesando 165 kg.

O painel solar tem 5,99 m² de área, contando com 397 células de 22% de eficiência e outras 56 de 16%.

As baterias produzem 4,85 kWh, impulsionando um motor ligado à roda traseira.

O chassi é de fibra de carbono, com a canopla do cockpit feita de fibra de vidro. Equipado com as baterias, IVy pode atingir 110 km/h.

Sunswift V (eVe)

Eve

O modelo que sucedeu IVy surgiu a partir de uma iniciativa arriscada. Os integrantes do time decidiram ousar e projetar um carro mais convencional.

A WSC anunciou a introdução da classe Cruiser para 2012, voltada para veículos com espaço para passageiro, quatro portas e que apresentasse praticidade.

Assim, em 2013, foi apresentado o Sunswift V, ou eVe.

eVe apresentava uma carroceria radicalmente diferente.

Enquanto os quatro modelos anteriores tinham design futurista, o novo carro lembrava um modelo esportivo mais convencional. eVe surpreendeu durante a WSC e levou o terceiro lugar no geral.

Na classe Cruiser, a Sunswift também terminou em terceiro na classificação por pontos, mas venceu com folga na disputa por tempo.

As baterias têm autonomia de 500 km, podendo passar a 800 com a utilização do painel solar do carro. eVe é a recordista da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para carros elétricos com autonomia de 500 km.

Em 2014, supervisionado pela Federação, o carro percorreu a distância com média de 108 km/h, superando o recorde antigo em mais de 30 km/h.

Para a prova, não era permitido o uso do painel solar, já que deveria ser realizada em uma única carga.

eVe tem 4,5 m de comprimento, 1,8 m de largura e 1,1 m de altura, pesando 430 kg.

O painel solar tem 4 m² e eficiência de 23%. Os motores, traseiros, são impulsionados por baterias que, combinadas, produzem 16 kWh.

A velocidade máxima é de 132 km/h. O chassi é feito de fibra de carbono, e o interior do carro tem espaço para dois passageiros.

O modelo conta ainda com telemetria integrada.

Sunswift VI

O sexto modelo foi apresentado recentemente, em setembro deste ano.

Carro Solar Violet

O Sunswift VI, ou Violet, foi inscrito nas WSC de 2017, mas abandonou a prova devido a uma quebra de suspensão.

Ainda mais radical do que eVe, Violet apresenta quatro portas e design semelhante a de um sedã convencional.

O painel solar tem 284 células solares distribuídas sobre uma área de 5 m², produzindo 1,1 kWh e alimentando motores elétricos de 1,5 kWh (ou 9 cavalos).

O interior conta com espaço para quatro ocupantes e conta com sistema de navegação, ar condiconado, câmera de estacionamento e até Wi-Fi.

A autonomia é estimada em 1.000 km e a velocidade máxima em 130 km/h.

A grande vantagem para os carros solares é a facilidade para recarregar as baterias. Além de poderem usar tomadas como os elétricos convencionais, também contam com a energia solar.

Isso representa uma redução considerável no custo.

A tecnologia apenas engatinha, no entanto, com custos de desenvolvimento ainda altíssimos.

Será preciso tempo antes da introdução definitiva no mercado automotivo.

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